PRÓLOGO

O Fora do Eixo nasce da vontade e da necessidade de redesenharmos o mapa da cultura brasileiro a partir de uma lógica coletiva e articulada em rede. Emergimos em centenas de coletivos culturais espalhados pelo Brasil profundo, ocupamos as principais cidades do país, hackeamos o eixo com casas coletivas e rompemos fronteiras internacionais.

Na medida que cresce a rede, cresce também nossa inteligência coletiva, nossos desafios, nossas referências e mais diversos ficam os nossos temas. Não mais cabemos dentro de um circuito cultural, somos um movimento social que parte da cultura para entender, refletir e construir o mundo que queremos. Para além de transformar as nossas vidas, disputamos pautas comuns, a sociedade, construímos realidades, novas narrativas, somos também a Mídia NINJA.

Com a Mídia NINJA nossa relação com os movimentos sociais se intensificam, lutamos pela democracia, contra o golpe, atuamos no Congresso Nacional, nos aventuramos por diversos campos, do reiki ao hacker, do feminismo ao antirracismo, das tribos urbanas aos povos indígenas, do veganismo à emergência climática. Somos ativistas!

Esse percurso todo já dura 18 anos e estamos chegando em mais um momento de virada de ciclo. No início, o nosso maior desafio era instalar a lógica colaborativa e cooperativa nas relações de trabalho e vida, assim nascem os coletivos. O desafio então se tornou articular esses coletivos entre si, surgem as redes. Depois, o desafio se amplia para como conectar essas redes em redes, surge o movimento. Agora, o desafio é como misturar os diferentes movimentos, ativismos e redes, brota a Floresta Ativista!

Floresta Ativista

Não somos monocultura, somos floresta! Construímos diversas interfaces para conseguir, a partir da política do cuidado, um colorido ecossistema onde habitam distintos temas, narrativas, metodologias, escalas, identidades, vivências e tempos. A dinâmica antropofágica da recombinação das culturas que geram novos significados e experiências!

NOSSO DNA

nosso código fonte, nossa essência, do que somos feitos

Ser Coletivo - O coletivo faz a diferença. Mais do que uma escolha, ser coletivo é uma necessidade. Num contexto tão individualista, apresentar soluções coletivas provoca transformações, muda a lógica, cria novas possibilidades. Nos organizamos em coletivos, apostamos pelo coletivo e somos seres coletivos.
 

Culturas Plurais - Compreendemos as culturas em seu sentido antropológico e comportamental com seu papel central na mudança de paradigmas e nas formas de se relacionar em sociedade. Somos povos diversos e são múltiplas as formas do fazer cultural.

Artevismos - Espaço de experimentação ética-estética constante, canteiro de delírios utópicos que nos permite sonhar além dos limites e tornar tangível o impossível. Sem linguagem nova, não há realidade nova.

Disputa Narrativa - A comunicação como uma das principais armas de diminuição de desigualdades e a disputa narrativa como linha de frente da batalha simbólico-cultural para construção de novos imaginários e relações humanas.

Cultura de Rede - As redes como laboratórios de uma sociedade coletiva e colaborativa onde seus integrantes trabalham conjuntamente com demandas de interesse público, desenvolvendo projetos que são, em sua base, políticas do comum.

Código livre, mente aberta - O código livre não fica obsoleto, ele se aprimora, evolui com a inteligência coletiva, se ajusta a novos desafios e se transforma todos os dias. É assim na tecnologia e também na vida. Mantenha o seu código livre e evolua!

Não vamos pedir licença - Somos fora do eixo, a soma das identidades de um Brasil profundo e de vivências periféricas que tem muito para dizer e oferecer pro mundo. A solução da crise virá dos que sempre viveram a crise. Chegamos para ficar.

Radical e Pop - Não existe nada mais potente do que ideias radicais que se tornam pop. Somos radicais sem caretice. Misturamos generosidade com ousadia. Compromisso e liberdade. Coragem com felicidade. O meme é tão importante quanto o textão, os movimentos são tão importantes quanto o mainstream, para mudar o mundo precisamos dialogar com os mais variados os espectros da sociedade.

Ideias Perigosas - Todos os nossos projetos e nosso modo de vida tem como objetivo construir novas realidades, combater desigualdades e equilibrar privilégios para transformar os contextos onde estamos inseridos. Lutamos por uma sociedade mais coletiva, justa, solidária e igualitária.

Mobilidade Subjetiva - Somos como uma espiral em fluxo, constante e mutante. Inquietos e determinados. Dispostos a enraizar e transcender, territorializando e desterritorializando. O desapego é importante pra gerar mudanças. E mudanças são a base da revolução pessoal e do mundo. Ninguém nasce pronto. Mas todes são capazes de aprender e gerar transformações.

NOSSO FECHAMENTO

nossas apostas, combinados, princípios e valores

A revolução será bailada - A festa como método de ativismo e (encontros) organização. Ser feliz também é um ato revolucionário e cidadão, gostamos e gozamos do que fazemos. Construímos a partir do desejo e para gerar desejo de revolução.

Menos manifesto, mais manifestação - Seja a mudança que você quer no mundo! Opinião não é argumento, reclamação não é crítica. Quem reclama coordena, quem propõe ajuda encaminhar. Busque sempre coerência entre o discurso e a prática.

A casa é sua, a louça também - Na vida coletiva, dividir o espaço com mais gente é também ajudar a cuidar. Seja propositivo: disposição, disponibilidade e cooperação são essenciais para uma construção verdadeiramente coletiva.

Império do Empírico - Não há aprendizado maior do que a vivência. Todas as nossas metodologias foram criadas a partir da sistematização das práticas e experiências compartilhadas, replicadas e remixadas há mais de 15 anos de construção em rede.

Baixa resolução, alta fidelidade - Um celular na mão, uma ideia na cabeça. Somos todos cidadãos multimídias. Seja a mídia!

A coisa tá preta - 'Não basta não ser racista, precisamos ser antirracista', buscamos viver os dizeres de Angela Davis no seu máximo. Buscamos a igualdade de oportunidade e reparação em nossos espaços e conteúdos.

Revolução, substantivo feminino - Aqui o patriarcado não tem vez. Partindo da construção de um feminismo coletivo, antirracista e celebra nossas diferenças, buscamos produzir experiências que também contribuam para desconstrução da masculinidade branca e heteronormativa. Feminismo de comunidade, comprometido com a formação e transformação das pessoas.

Os acomodados que se mudem - O espaço é para todes e queremos percorrer esse caminho. Corpos trans, gordos, com deficiência, são eles, os estranhos, malvistos, rejeitados e orgulhosos que trilham e pensam nossos saberes. Os que incomodam são os que criam novos mundos.

Dinheiro, ilusão coletiva - Quem define o que tem ou não tem valor, define a economia. O ouro, os dolares e os bitcoins não passam de construções que ditam nossa forma de enxergar a economia. Conseguir transformar nosso olhar e criar novas referências de valor, mais solidárias, justas e coletivas, é construir outras economias. Em mundo tão economicentrista, mudar a lógica econônica é mudar o mundo.

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Viemos aqui pra confundir não pra explicar - Estamos (de)formados por ideias e conceitos pré concebidos que limitam nossa forma de pensar, de ver o mundo, de experimentar a vida. O nosso senso de liberdade está reduzido, nossos sonhos acuados, nossa potência minimizada. O que mais precisamos é nos provocar, nos questionar, ampliar nossa imaginação e redimensionar nossas realidades.

Quem fica parado é poste  - Ficar sentado esperando a salvação não é do nosso feitio, também somos responsáveis pela realidade que vivemos. Somos sobreviventes e vamos lutar pelo que acreditamos. Somos herdeiros e herdeiras de uma década ganhada, temos uma dívida histórica com o futuro, ressignificando o passado e com um compromisso total com o presente.

Uma comunidade livre não quer guerra com ninguém - Só com o capitalismo, o patriarcado, o racismo, a xenofobia, a cisheteronormatividade, o fascismo, a gordofobia, o capacitismo, os ruralistas, os madeireiros e qualquer forma de opressão moderna ou colonial. Como dizia o compositor Lulu Santos: não desejamos mal a quaaaaase ninguém! Não podemos ser tolerantes com os intolerantes.

Nada se cria, tudo se copia (commonismo) - O conhecimento não se perde e não tem dono! O conhecimento quando compartilhado, gera ainda mais conhecimento, se multiplica, se recombina, se transforma, retroalimenta o todo.

Nem cancelar, nem passar pano - Experimentamos múltiplas formas de resolução de conflitos, a partir do diálogo e do debate, buscando sempre opções que realmente gerem novos aprendizados práticos. Uma comunicação não violenta é necessária! Não somos punitivistas, mas isso não é uma licença: assuma sua responsabilidade! Somos contra a cultura do cancelamento, porém, que fique explícito: nenhuma violência ou discriminação será aceita ou permitida. Ou mude, ou perca privilégios!

Não existe planeta B - A natureza é um bem comum de toda humanidade, mas os seres humanos não são o centro do mundo. Precisamos amazonizar nosso olhar para construir o futuro e transcender o conceito de cidadania para um novo paradigma: a FLORESTANIA! O comum pressupõe a responsabilidade coletiva.